Genética e Sono: Você é Vespertino ou Matutino?

Descubra como a genética influencia seus horários de sono e se você tem predisposição ao cronotipo vespertino ou matutino.
Você já se perguntou por que algumas pessoas rendem melhor à noite, enquanto outras despertam cheias de energia ao amanhecer? A resposta pode estar menos nos hábitos e mais na genética.
Estudos científicos demonstram que o cronotipo é influenciado por fatores genéticos e biológicos, além do ambiente.
Cronotipo e Predisposição Genética
Indivíduos com cronotipo vespertino tendem a dormir e acordar mais tarde, enquanto os matutinos funcionam melhor nas primeiras horas do dia. Estimativas apontam que entre 10% e 20% da população apresenta uma predisposição genética ao padrão vespertino.
Essa característica está relacionada, entre outros fatores, à variação da temperatura corporal, um dos principais reguladores do ciclo sono–vigília.
Como o organismo regula o sono?
Entre aproximadamente 21h e meia-noite, a maioria das pessoas apresenta uma queda gradual da temperatura corporal, sinalizando ao cérebro que é hora de dormir.
Nos indivíduos com cronotipo vespertino, essa queda ocorre mais tarde, sendo muitas vezes apenas na madrugada, por volta das 3h.
O inverso acontece pela manhã: enquanto a maioria desperta com o aumento da temperatura corporal nas primeiras horas do dia, pessoas com atraso de fase só atingem esse pico mais tarde, no fim da manhã.
Cronobiologia: a ciência dos ritmos biológicos
A cronobiologia estuda os ritmos naturais do organismo, entre eles:
- Ritmo circadiano: aproximadamente 24 horas (dia e noite)
- Ritmo circanual: cerca de um ano (estações)
- Ritmo lunar: relacionado aos ciclos da lua
Experimentos clássicos demonstram que esses ritmos persistem mesmo na ausência de estímulos externos, comprovando a existência de um relógio biológico interno, inato.
É hábito ou é genética?
Embora a genética tenha papel central, fatores ambientais podem agravar ou suavizar o cronotipo:
- Luz artificial excessiva à noite (telas e iluminação intensa)
- Temperatura inadequada do ambiente
- Rotinas irregulares de sono
Esses fatores confundem o relógio biológico e dificultam a adaptação aos horários sociais.
Distúrbio da Fase Atrasada do Sono
Quando o atraso do sono gera sofrimento, prejuízo funcional ou dificuldade persistente de adaptação, pode se tratar do Distúrbio da Fase Atrasada do Sono, uma condição clínica reconhecida.
O tratamento pode incluir:
- Exposição à luz solar pela manhã
- Restrição de luz à noite
- Ajustes graduais do horário de dormir
- Uso de melatonina em horários específicos (sempre com orientação médica)
- Terapia cognitivo-comportamental
O mais importante: qualidade do sono
Independentemente do cronotipo, o essencial é garantir 7 a 8 horas de sono contínuo, em ambiente escuro, silencioso e adequado. O sono deve ser restaurador, permitindo que a pessoa acorde com disposição, energia e clareza mental.
Quando procurar ajuda especializada?
Se você apresenta dificuldade persistente para se adaptar aos horários convencionais de trabalho ou estudo, ou se sente cansado mesmo dormindo por várias horas, é fundamental procurar um especialista em medicina do sono.
Na Clínica do Sono®, realizamos avaliação completa, incluindo polissonografia e outros exames, para diagnosticar distúrbios do ritmo circadiano e indicar o tratamento mais adequado para cada caso.
Cronofarmacologia: o futuro da medicina do sono
Os avanços em cronobiologia contribuem para o desenvolvimento da cronofarmacologia, área que estuda o melhor horário para administrar medicamentos, aumentando sua eficácia e reduzindo efeitos colaterais.
Sobre o autor
Dr. Maurício Viotti Daker - Psiquiatra e Especialista em Medicina do Sono
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