Medicina do Sono

Genética e Sono: Você é Vespertino ou Matutino?

Dr. Maurício Viotti Daker- Psiquiatra e Especialista em Medicina do Sono
10 de janeiro de 2026
9 min de leitura
Genética e Sono: Você é Vespertino ou Matutino?

Descubra como a genética influencia seus horários de sono e se você tem predisposição ao cronotipo vespertino ou matutino.

Você já se perguntou por que algumas pessoas rendem melhor à noite, enquanto outras despertam cheias de energia ao amanhecer? A resposta pode estar menos nos hábitos e mais na genética.

Estudos científicos demonstram que o cronotipo é influenciado por fatores genéticos e biológicos, além do ambiente.

Cronotipo e Predisposição Genética

Indivíduos com cronotipo vespertino tendem a dormir e acordar mais tarde, enquanto os matutinos funcionam melhor nas primeiras horas do dia. Estimativas apontam que entre 10% e 20% da população apresenta uma predisposição genética ao padrão vespertino.

Essa característica está relacionada, entre outros fatores, à variação da temperatura corporal, um dos principais reguladores do ciclo sono–vigília.

Como o organismo regula o sono?

Entre aproximadamente 21h e meia-noite, a maioria das pessoas apresenta uma queda gradual da temperatura corporal, sinalizando ao cérebro que é hora de dormir.

Nos indivíduos com cronotipo vespertino, essa queda ocorre mais tarde, sendo muitas vezes apenas na madrugada, por volta das 3h.

O inverso acontece pela manhã: enquanto a maioria desperta com o aumento da temperatura corporal nas primeiras horas do dia, pessoas com atraso de fase só atingem esse pico mais tarde, no fim da manhã.

Cronobiologia: a ciência dos ritmos biológicos

A cronobiologia estuda os ritmos naturais do organismo, entre eles:

  • Ritmo circadiano: aproximadamente 24 horas (dia e noite)
  • Ritmo circanual: cerca de um ano (estações)
  • Ritmo lunar: relacionado aos ciclos da lua

Experimentos clássicos demonstram que esses ritmos persistem mesmo na ausência de estímulos externos, comprovando a existência de um relógio biológico interno, inato.

É hábito ou é genética?

Embora a genética tenha papel central, fatores ambientais podem agravar ou suavizar o cronotipo:

  • Luz artificial excessiva à noite (telas e iluminação intensa)
  • Temperatura inadequada do ambiente
  • Rotinas irregulares de sono

Esses fatores confundem o relógio biológico e dificultam a adaptação aos horários sociais.

Distúrbio da Fase Atrasada do Sono

Quando o atraso do sono gera sofrimento, prejuízo funcional ou dificuldade persistente de adaptação, pode se tratar do Distúrbio da Fase Atrasada do Sono, uma condição clínica reconhecida.

O tratamento pode incluir:

  • Exposição à luz solar pela manhã
  • Restrição de luz à noite
  • Ajustes graduais do horário de dormir
  • Uso de melatonina em horários específicos (sempre com orientação médica)
  • Terapia cognitivo-comportamental

O mais importante: qualidade do sono

Independentemente do cronotipo, o essencial é garantir 7 a 8 horas de sono contínuo, em ambiente escuro, silencioso e adequado. O sono deve ser restaurador, permitindo que a pessoa acorde com disposição, energia e clareza mental.

Quando procurar ajuda especializada?

Se você apresenta dificuldade persistente para se adaptar aos horários convencionais de trabalho ou estudo, ou se sente cansado mesmo dormindo por várias horas, é fundamental procurar um especialista em medicina do sono.

Na Clínica do Sono®, realizamos avaliação completa, incluindo polissonografia e outros exames, para diagnosticar distúrbios do ritmo circadiano e indicar o tratamento mais adequado para cada caso.

Cronofarmacologia: o futuro da medicina do sono

Os avanços em cronobiologia contribuem para o desenvolvimento da cronofarmacologia, área que estuda o melhor horário para administrar medicamentos, aumentando sua eficácia e reduzindo efeitos colaterais.

Sobre o autor

Dr. Maurício Viotti Daker - Psiquiatra e Especialista em Medicina do Sono

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