Medicina do Sono

Por Que Dormimos? A Ciência Por Trás do Sono

Dr. Dirceu Valladares- Médico do Sono e Psiquiatra
10 de janeiro de 2026
10 min de leitura
Por Que Dormimos? A Ciência Por Trás do Sono

Dormir é uma necessidade biológica fundamental. Descubra as principais teorias científicas sobre o sono e seu impacto na saúde, memória e sistema imunológico.

Dormir é uma necessidade biológica fundamental para a saúde, a sobrevivência e o bom funcionamento do organismo. Embora muitas vezes não reflitamos sobre isso, todos reconhecemos os efeitos de uma boa noite de sono: mais disposição, melhor humor, maior clareza mental e melhor desempenho físico e emocional.

A importância do sono

Sentir fome e comer. Sentir sono e dormir. Uma forma simples de compreender o papel do sono é compará-lo a outra função vital: a alimentação. Ambas são reguladas por mecanismos internos poderosos e indispensáveis à manutenção da vida.

O sono não é um estado passivo. Trata-se de um processo altamente ativo e organizado, essencial para o equilíbrio do corpo e da mente.

Principais teorias científicas sobre o sono:

1. Teoria da conservação de energia

Essa teoria propõe que o sono tem como função principal reduzir o gasto energético em determinados períodos do dia ou da noite. Durante o sono, ocorre:

  • Redução do metabolismo energético em até 10% nos humanos
  • Diminuição da temperatura corporal
  • Menor demanda calórica

Esses mecanismos ajudam o organismo a conservar energia e otimizar recursos.

2. Teorias de restauração

Outra explicação amplamente aceita é a função restauradora do sono. Durante o período de vigília, o corpo sofre desgaste físico e metabólico, que é compensado durante o sono.

Estudos demonstram que:

  • Animais submetidos à privação total de sono perdem a função imunológica e morrem em poucas semanas
  • Processos como reparo tecidual, crescimento muscular e síntese proteica ocorrem predominantemente durante o sono
  • A liberação do hormônio do crescimento acontece majoritariamente durante o sono profundo

3. Teoria da plasticidade cerebral

Uma das teorias mais recentes associa o sono às mudanças estruturais e funcionais do cérebro. Bebês dormem cerca de 13 a 14 horas por dia, sendo aproximadamente metade desse tempo em sono REM, fase crucial para o desenvolvimento cerebral.

Essa relação reforça o papel do sono na aprendizagem, na adaptação e na organização neural.

O que acontece no corpo enquanto dormimos

Funções cardiovasculares

Durante o sono NREM, a pressão arterial atinge seus níveis mais baixos. Já no sono REM, as frequências cardíaca e respiratória apresentam variações fisiológicas normais.

Liberação de hormônios

O sono regula a liberação de diversos hormônios essenciais:

  • Hormônio do crescimento: cerca de 90% é liberado durante o sono, contribuindo para disposição, fortalecimento ósseo e redução de gordura
  • Prolactina: envolvida no crescimento das glândulas mamárias e produção de leite
  • TSH: regula a função da tireoide
  • Cortisol: apresenta pico de liberação nas primeiras horas da manhã, auxiliando no despertar

Sono, memória e aprendizado

Pessoas que dormem mal frequentemente apresentam dificuldades de memória e concentração. Tanto o sono REM quanto o NREM são fundamentais para a consolidação das memórias adquiridas ao longo do dia.

Defesa do organismo

Durante o sono, ocorre a liberação de interleucinas — proteínas essenciais para a ativação dos linfócitos, componentes centrais do sistema imunológico. Dormir bem fortalece as defesas naturais do corpo.

Controle do apetite

O sono também participa do equilíbrio hormonal relacionado à alimentação. É durante o sono que ocorre maior liberação de leptina, hormônio responsável por promover saciedade e regular o gasto energético.

Quanto sono precisamos?

Em média, um adulto necessita de cerca de 8 horas de sono por noite. No entanto, mais importante do que a quantidade é a qualidade: um sono contínuo, profundo e reparador, sem interrupções frequentes.

Atualmente, são reconhecidos cerca de 90 transtornos do sono. Se a má qualidade do sono é frequente, isso indica que algo precisa ser investigado e corrigido para preservar a saúde, a segurança e a qualidade de vida.

Quando procurar um especialista?

Se você não está dormindo bem com regularidade, é fundamental buscar avaliação especializada. A medicina do sono dispõe de exames como a polissonografia, além de outras ferramentas diagnósticas, para identificar alterações e indicar o tratamento mais adequado.

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Lembre-se: sono de qualidade é fundamental para uma vida saudável e plena.

Sobre o autor

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